Duas Faces


Busco a razão de minha intenção para com você
O motivo pelo qual coloca-me a sentir sua presença
Faz-me ter o mundo nas mãos
Sinto esse poder fazendo parte de minha essência
Deslizando em mim, pairando sobre o ar
Põe-me em um patamar onde jamais me permiti estar
Onde o limite não mais existe
E nada se sobrepõe a mim
E nada pode além de mim
É também quem me tira a "soberania" sobre minhas atitudes
Dá-me apoio e toma de mim essa segurança
Constrói pra mim um castelo de papel
Deixa-me ser dona de seu mundo
E mostra a face desconhecida
E destrói minha construção
Perturba a minha alma, tira meu sono
Rouba meus pensamentos
Faz marcas em meu corpo e não as tira mais
Diz logo o que quer
Tira de mim o que devo-lhe
Mas seja rude, seja claro, objetivo...
Atira em mim uma vez só, mas acerta
Bem profundo e finaliza essas questões
A conseqüência disso será a minha satisfação
Em saber que não estou ligada a mal algum
Mal este que se torna você
Desprendo do pesadelo da sua influência
Sobre minhas forças
Atingindo assim o ápice de meu próprio domínio.

O Resto é Ilusão


E mesmo que o meu sorriso demonstre verdades falsas
E mesmo que eu perca pensando ter vencido
Desde a minha ternura até a minha ira
O olhar além do que posso ver em real,
Tudo que sou, devo a você
Derrama em minhas mãos,
Perde entre meus dedos
Uma desilusão, em uma derrota
Assiste e teme, corre e livra-se
Posso eu entregar o que sobrou
De mais um tempo de dor?
Estou construindo um barco
Pra chegar onde minha imaginação
Me leva toda noite...
Irei eu te encontrar?
Você está me enganando
Estou confiando na tua voz
Que soa em meu ouvido e me diz:
"Sim, é isso, basta acreditar"
Faz novamente, eu na minha inocência
Mergulho em profundidades
Não conhecidas e angustiantes
Apesar de corpos e mentes sãs
Sei que já perdi a razão.

Perfeitas Imperfeições


Barato de procurar-te
Deslumbro ao encontrar-te
Magia de um momento, passado simples
Glória de um dia só, em curto espaço de tempo,
A porta está aberta e eu convido-te a entrar
Encara minha desconfiança
Aquela de quem não viu o sol da manhã
Na tempestade do meio-dia
O que dura para sempre, não tem valor
Ao passo que impossibilidades podem ser viáveis
E até onde pode-se acreditar
Mesmo em situações remotas e improváveis
A liberdade em troca de um sentido idealizado
Sentimento de estar bem, comigo, com você
E não agradar a teu modo, não fazer parte de sua vida
Da maneira como gostarias que fosse
Erros comparados a existência entendiada
Desejos irrealizáveis, acontecimentos certos
De que em outra maneira, não há de ser realidade
É porque assim há de ser, simples, porém amargo
Ainda que justo, não dito almejado
Mas como parte, em desafio à força e resistência
Vinda da alma, impedida apenas por contradições
Que ignoram a perfeita harmonia e traz consigo
A mancha que reluz no espelho da alma
E assemelha à vida, indiferente.

Gratidão - [16/03/2007]

Já faz algum tempo
Mas pra mim, é como se fosse ontem...
A minha gratidão a você
É pura e sincera
Fizeste-me sorrir, quando a tristeza possuía minha alma
Ao meu lado esteve, quando o vazio tomava-me
Plantaste em meu coração sentimento inexplicável
Tornou ao meu ver, desafios em aprendizados
Minha vida tem sido abençoada e enfeitiçada
E sinto que foste parte da bênção
Disposta estaria a viver novamente
Cada dia, cada momento
Na intensidade do infinito
Na beleza de tudo o que é proibido
A palavra da amizade
Num gesto de carinho
Encontrado na harmonia de teus traços
Do teu sorriso, na forma de olhar
Pelas risadas, pelas brincadeiras
Confissões e bebedeiras
Pelas noites de puro deleite
Em certeza de um reencontro
Mais uma vez, obrigada.

Refúgio

Enquanto aqui estou,
Deparo-me com minhas idéias sem fundamentos
Idéias de alguém que procura razões para explicar os próprios medos
Buscando entender o fato de minhas preces não serem atendidas
Agora distingo o certo do errado,
que pra mim não faz diferença alguma
O fato é que meu egoísmo só acentua minhas certezas e opiniões
Entre elas e, absolutamente,
a de que a confiança pode ser de certa forma
o caminho para a tão almejada felicidade
Mas como tudo, aparentemente e profundamente,
apresenta pelo menos duas faces,
sei que o lado mau não leva muito tempo para dar as caras.
Não peço, mas tenho o que desejei,
não usei de esforços legítimos,
mas é algo que se torna parte.
Também não se faz necessário para todo o sempre.
Assim, é certo que nada é o que parece ser.
Sabe que não pretendo lamentar-me,
sabe que não pretendo julgar-te.
Neste mundo não há muito o que se esperar dos semelhantes, infelizmente.
Mas há o que oferecer, há algo para tentar compreender e também para
aprender.

Dizeres...

Em instantes, medindo palavras repetidas
Na intensidade de seus significados
Já não dizem as mesmas coisas antes ditas
Como em temas que já foram abordados

Poderia ser breve num instante de um olhar
E poderia julgar, sem temer retorno incompreendido
Arder assim, como brasa ao tocar
Na evidência de que nada é proibido

Já é sabido que atitudes podem mais
Mas também coloco-me em tua credibilidade
Pra não ouvir e acreditar em palavras jamais,
As quais deixam em vão até a mera amizade

Hoje a noite aqui é só mais um dia
Amanhã pode ser e pode estar
E vir a influenciar a mim a tua alegria
E tende em mente que feliz vou lhe falar

Contar-te-ei o que vivi e presenciei
Será verdade pra quem puder sonhar
Não haverá medo em viver o que imaginei
Mais real, no infinito a me tocar

Algumas Coisas...

Não bastam motivos para sobreviver, preciso de motivos para viver. Tire de mim tudo que não me pertence. Peço que deixe a paz, a melodia de uma simples música, a beleza de um olhar puro.
À maneira de uma sombra à média luz, semelhante a uma ave nas montanhas. Força para lutar, coragem para vencer e o mundo para enfrentar. Sinto por momentos desumanos presenciados, que apesar de tudo, passam despercebidos por pessoas desprovidas de certas atribuições...
Caminhar por aqui é tarefa difícil quando não se tem algo como ou, semelhante a fé. Parece ser mais obscuro quando desacompanhado, diria até medonho quando em momentos de ápice. Mas é tão simples quando tens forças conjuntas e pensamentos em sintonia.
O meu desejo é remoto e fantástico. Deslumbrado e temido, é também ofuscado e coletivo.
É por aquele que foi injustiçado, pela criança que chora, pela ausência de quem se foi.
Quando o passado é cotidiano no presente, quando nada faz sentido em relação ao ideal de algo bom e melhor. Pra fazer bem a quem "merece" o mal. Por a teste a justiça de quem pode decidir, a honra de quem a recebe. Há algo que não me parece estar correto em meio a este vislumbre de acertos.