Autocontrole


Desejei fechar os olhos e encontrar-me em outra dimensão, onde jamais estive antes. Nesse lugar onde nada mais existe além do vazio e da ausência de dor, seja ela qual for. A sobriedade deixava-me em estado de indiferença, indignação e às vezes batia um certo desespero. Não necessitava muito, bastava-me apenas acabar com aquilo que sentia. Quando dei por mim, mãos trêmulas e olhar exausto, foi difícil, tanto é que não pude conter as lágrimas que sobre a face dilaceravam aos tormentos meus.
O amor podia fazer parte de uma vida onde apenas a rejeição era conhecida, o desespero da partida, ainda que contra vontades. Essa força era maior que qualquer outra força a qual sentia poder dominar. E nessas horas percebia não poder dominar coisa alguma.
Como poderia algo, qualquer que seja naquele momento, até mesmo os grandes problemas mundanos fazer alguma diferença naqueles minutos. A destruição podia vir a um minuto de separação que nada havia de mudar. Não havia pena, culpa, sentimento, apenas algo incomodando aos sentidos internos.
Então, uma vez mais, era aquele nome que vinha de encontro ao meu ser, chamando meio que por inconsciente...
Desejei fechar os olhos e encontrar-me em uma outra dimensão...

O Ciclo

A fantasia de um dia de sol
Fazia-me acreditar que tudo podia ser diferente
A começar pela ilusão que hoje faço parte
Nesses dias de tempos corridos e lentos
Os quais queria poder transformá-los agora
Em algo confiável e digno de ser vivenciado
Passaria dias e noites e sempre em frente
Na esperança de uma hora em que encontrarei
O que jamais perdi, que nunca se desfez
Fixo a mim, fixo em mim, como parte de meu ser
Quis não correr o risco de passar por isto
De não encontrar-me pedindo a mão alheia
Poder sorrir e chorar quando quisesse
E mudar as situações conforme a necessidade pedisse
Digo que esta confiança custou-me caro
Um preço acima de minhas ostentações
Estou fraco, grito por ajuda mas não há respostas
Seguirei o caminho mais absurdo
Pisarei em flores negras murchas
Sentirei os espinhos me tocarem
A água que cai da chuva lavará minha alma
Até chegar ao meu destino, não hei de temer
Sempre corre-se o risco do fracassso
E da morte prematura do ser, não sendo o fim
Mas o renascimento da alma purificada.

Flexibilidade



Queria alcançar a estabilidade de um mar
A confiança de um amigo e de um aliado
A coragem de uma aventura e a inexistência do espaço.

Sua Confusão, Minha Ilusão*


Sua voz dilacerava ao ar, chegava aos ouvidos sem receio do que poderia trazer por conseqüência daquele ato, o qual deixara sem reação, sem palavras, sem lágrimas. Apenas intocável e paralizada, como quem com um olhar prende os sentidos de quem a repara, a consagra. Consagra porque era assim, algo até digamos comparado como uma idolatria cega. Então, nesse fim de noite, o que importava era nada. O que fazia sentido? Nada. O que restava? Nada. Organizemos as idéias: a noite era fria, mas nem o frio era sentido, o movimento era grande, as ruas mais uma vez como companhia e por alguns momentos, uma outra mente fazia-se necessária, uma alma que divide prazeres, agora também poderia dividir a dor, a tristeza, o desencanto. Mas era um momento de pensamentos velozes, árduos, a fim de buscar e encontrar explicações. A necessidade de uma parceria foi momentânea, de relance, não durando mais que alguns breves minutos.
E voltava mais uma vez aquelas memórias, aquelas promessas, dizeres, encontros, lugares, prazeres, lembranças. E pra onde teria ido? Era tudo muito vazio, sabor amargo, visão turva, mãos trêmulas. Simples, como tudo deveria ser, embora descrente, naquele momento lutando pra enxergar por além daqueles olhos. Outras pessoas eram apenas outras pessoas. Como torna um mundo repleto de um só ser? Como se faz da vida, especificada em uma só vida? São tão inexplicáveis as questões que vem de encontro, que pra respondê-las, creio que uma vida só não bastaria. E é tão fácil reconhecer essa fase, um sorriso já diz tudo.
Retornemos à noite. Caminhava ainda, era ao lar que deveria retornar, olhar para o chão ou para as estrelas, não mudava em nada, era tudo tão igual e sem graça, que nem mesmo a morte oferecia algum medo. Distingüir o certo do errado ali, não era nada fácil. Mas se manter 'alegre' à visão dos outros era pior ainda. O destino é certo para seres incertos do amanhã. O fato é que tudo que havia a volta, parecia parte de uma lista enorme de inimigos, juntos, numa fusão de intenções, crueldades, desejos e outros sentimentos dignos da mente humana. Tão somente me via ali, um ser de profunda agonia, mergulhado em águas desconhecidas, que iam e viam num compasso descompassante, tiravam do equilíbrio permanente até mesmo a mais equilibrada das criaturas.
Dizer, relatar, expor toda a amargura não é o bastante para apagar essa dor, ainda assim está guardada em uma caixa, onde todas são reunidas, revistas e jamais esquecidas.
E como é prazeroso e ao mesmo tempo repleto de mistérios esta dor, encantada de magia e somente de quem a sente. Passam-se os dias e o tempo fez-se mesmo um tempo de caminhar só. Mas esse caminhar só, além de necessário é estimulante.

(*) Referência à música Atmosphere por Joy Division

Caminhos Semelhantes


São meus passos marcados e deixados na areia
O som das aves dita o tom, eu não parto sem uma razão
No cantar das águas do mar, ao som melódico da sereia
Dá-me a certeza de que mesmo a fantasia, não soa mais em vão

Caminhada longa e caminho reluzente me faz encantada
Não me canso fácil, a paisagem me faz esquecer
Das vertigens ilusórias e das lágrimas criadas
Poder acreditar e sentir que o mais importante é viver

O céu vermelho, dia partindo ao horizonte distante
Nada além de mim e do sol naquela despedida
Queria eu poder ir mais além e ser a tua acompanhante
Mas sei que faz parte também de nossas vidas a partida

Leva agora o meu sorriso sempre contigo
Deixe que ele faça parte e ofereça a quem precisar
Como quem olha para o lado e sente um amigo
É você quem me faz sorrir e chorar

Olho para trás, a lua agora é quem me vê
Encanta-me e lamenta a mim seus pesares
Ouço calada, sinto e crio o reflexo para dizer
Que além deste ar existe também outros ares

Acompanhamos a nós mesmas e de testemunho, o mar
As estrelas nos olham e consagram o caminho
Mas quem dita os passos agora já nos faz esperar
Seria então o momento de percorrer sozinho... (?)

Saudades Dela


Creio que ela está por perto e não demoro a esbarrá-la
Ela vem ao meu encontro e eu corro em direção a ela
Eu sei que a gente já se cruzou por ae
Mas é que às vezes eu vou pra um lado e ela para outro
Me lembro dela com saudades fortes e sei que ela também pensa em mim
Se há lembranças, é porque já houveram momentos bons
E se sinto falta, é porque gosto dela... e é recíproco
Ela gosta de mim e eu sei... volta e me faz sorrir novamente
É tão simples, é tão sincera, é tão fundamental
É ela, quem me faz pensar e acreditar, essa tão almejada FELICIDADE
.

Um Lugar De Encontro Ao Meu


Minhas palavras são sinceras pra quem sabe ouvir
Sou quem não se contenta com meias verdades
E se arrebata em esperanças poucas, mas deliciosamente intensas
Às vezes mais que antes, ou menos que ainda há de vir
Dá-me o frio pra esclarecer minhas idéias e encontrar as saídas
Nem só de sol vive o verão, mas de tempestades e dias escuros
Mas ainda a noite, pode ser que eu me encontre em uma rua qualquer
Cruzando pessoas, muitas iguais, outras menos diferentes
E avenidas disfarçadas de alegria com suas luzes de neon vindo ao encontro
E chocando com memórias que batem e arremessam lágrimas
Que tocam ao chão, frias de enigmas ainda não solucionados
Outrora, quentes de temores embebidos ao amargo do sentir
Passa alguém, e outro alguém, sorriso tímido e olhar indecifrável
Idas e vindas de histórias parecidas, de momentos semelhantes
À busca de respostas encontradas numa praça, numa esquina, num bar
Visualizando tudo e nada, revendo o azul e o negro
Os dois lados de um mesmo quadro, nem sempre assim
Mas destacado não mais pelas duas faces
Destacado mais do que nunca, pelo encontro do bem e mal
O encontro que sempre andou junto, porém
As forças se destacam, se intercalam e decidem quando aparecer
Poder tomar partido, fácil, transparecer esta decisão, nem sempre
É pensando assim, pra seguir, já vou partir
Me restou de cicatrizes conclusões conhecidas
Levanto, amarrando aos cadarços, pés no chão
Passos fracos adiante e olhar ao longe
A volta sempre é mais aliviadora, pelo menos demonstra
Mesmo aparentemente causa boas sensações
Um olhar para dentro, e até uma valorização própria
Ás vezes um certo desprezo, mas sempre uma sensação de dever cumprido.