Sem Título


Passei a acreditar que não somente a justiça, mas também os dois lados que a formam, são cegos.
Aprendi que sensibilidade, definitivamente, não é qualquer pessoa que tem, ou mesmo, faça o uso desta.
Nem sempre as palavras ditas, são verdadeiras na prática. Na prática é uma outra história. Aliás, é neste momento que se conhece as verdades. E mesmo ela doendo, é preciso aceitar e aprender que não somos perfeitos. Temos muito o que aprender. Porém, é tão difícil. Sempre tive comigo, que o ser humano costuma  mostrar o que realmente é, nos momentos de fúria. Porque é justamente nesse momento que algumas das mais belas virtudes podem ser presenciadas, quais sejam: paciência, confiança, seriedade, honestidade, compaixão, amor. Da mesma forma, algumas decepções podem ser vivenciadas. Voltando a prosear sobre a sensibilidade, é fato que existem pessoas e pessoas. E que, nem sempre se está em um momento de plena alegria e, que é quase impossível se encontrar nesse momento. Quando nós mesmos nos encontramos em um momento conturbado, em que a preocupação fala mais alto, em que o pensamento não consegue sorrir, por mais que as aparências finjam, é neste exato segundo, que necessita-se a ternura, sensibilidade e compreensão do outro. Infelizmente, nem sempre as pessoas conseguem enxergar este mal momento e, acaba por pesar mais ainda, na mente frágil, debilitada e sem rumo. É doído, quando mais se precisa de um apoio e não o encontra. Justo de onde mais se esperava. Mas, o coração que já se levantou tantas vezes sozinho, não pode parar. Se erguer já é de costume e não será um problema. 
Que o tempo passe, que a chuva caia, que se forme o arco-íris, que o sol volte a brilhar, que as flores desabrochem novamente. Que os ventos tragam de volta a nossa paz. 

Tempos Passados

Por quantas vezes decidi correr o risco de viver um sonho
Muitas foram as ameças oportunas e próprias do passado
Razão não mais fazia parte do todo, o que restaram eram as emoções
E a liberdade, por quantas vezes prendeu o que sobrou
Em meio às fugas, não foram poucas o apelo ao doce amargo da solidão
E nem mesmo palavras de gratidão puderam minimizar as dores

Mais Uma Entre Essas Histórias


Ela buscava um grande amor e, finalmente, esse dia chegou. Bastou um olhar e a empatia falou por si só. Daquele dia em diante, ao menos no seu mundo, seu caminho rumo a felicidade estava então traçado. Um momento para entrar para a sua história particular. Afinal, se sentia motivada pelo dito amor verdadeiro, amor incondicional, o qual poderia ser levado até as últimas conseqüências, desde que fosse legítimo. Alguns dias se passaram e o primeiro passeio chegou. A noite fez sua parte, a lua brilhava e as estrelas a acompanhavam. Nada mais poderia dar errado. De fato, tudo saiu perfeito. A companhia era a melhor do mundo. O que mais desejar então? Nada. Porque era somente aquela paz, aquele sentimento, aquela ternura e aqueles laços que faltavam em sua vida. Todo o resto, viria ao acaso, pelo esforço ou por merecimento, porque o principal já havia encontrado, ou talvez, tenha sido encontrada.
O tempo passou e a medida que os dias se acumularam, mais intenso e profundo ficava aquele sentimento. A dependência já fazia parte de sua vida e, essa mesma vida, poderia ser entregue em troca da eternidade dos momentos juntos. E veio aquela viagem, e mais uma e outra. Cada qual fazia parte de um tempo que não mais voltaria. Os melhores dias, as melhores noites e as mais prazerosas tardes. Aventuras, conhecimento, felicidades e até tristezas divididas, como havia de ser. E em meio a tantas alegrias, provavelmente, vieram os dias ruins, de tempestades infinitas. O piores, os amargos e estranhos dias. Nessas datas, toda e qualquer credibilidade de se manter os caminhos juntos se esgotavam, viravam cinzas, era como a água que passa e desliza entre os dedos das mãos. A única coisa que confortava, era a sábia idéia de que o sol voltaria a brilhar em meio a conturbada e fria chuva.
E assim dias melhores de fato vieram e, mais uma vez seu coração fora tomado pela imensa satisfação que era compartilhar aquele amor. A motivação surgia diariamente, ao se levantar, ao sentir o primeiro pensamento do dia, que era o seu amor. Ouvir a sua voz, esperar chegar o momento de mais um encontro, se entregar à beleza de seu sorriso.
Mas como saber se todo esse sentimento vem de ambas as partes? Como saber se ainda é o mesmo? O mundo muda, as pessoas mudam. Talvez esta seja a resposta mais aceitável. Certos fatos, não eram para serem entendidos, muito menos compreendidos. Como um perdão aparente, mas que no fundo, a dor, a cicatriz, jamais se apaga. Então, o perdão não foi totalmente consumado. Isso explica o que passou, isso explica o que veio depois e o que está por vir.
Naquele dia, como quem apaga letras num caderno velho e insignificante, as palavras ressoaram: "Já não te quero comigo". Ela então caiu mais uma vez...

Sem Título



Faltam pétalas nas flores
No arco-íris não existem cores
Sobram além de mágoas, os mais diversos tipos de dores.


Lembranças


São tantos os pensamentos que as vezes me perco neles, sem pretensão de voltar ao local onde me encontrava. Nessa busca, quem é encontrado, por muitas vezes, sou eu. Muito tempo se passou desde a última vez, hoje tudo mudou e as mudanças, parecem fazer com que tudo se renove e um certo sentimento, ainda ronda este universo. Onde está o meu lugar? Onde está o meu tempo? Onde está a minha vida? As questões ainda são as mesmas, é difícil pensar na possibilidade de esperar as coisas acontecerem por si só. Os astros requerem paciência. Pode ser o melhor a fazer. Ou a não fazer, tendo a paciência como espera. A espera é angustiante, eu sei. Pode ser a solução ou mesmo o caminho para o desespero.
Não devia, fato. Mas ainda olho os velhos retratos, aqueles que sobraram, aqueles que se guarda até mesmo na memória. Nessa mesma mente, guardo os momentos, as passagens, o silêncio que se fazia, quebrado por um riso ou uma lágrima. Tudo parece tão distante, tão longe de ter acontecido ou existido em um breve, mas marcante momento desta vida, que vos fala agora.
E dá vontade de sair, sumir, correr ao longe, mas assim, tudo tende a retornar mais depressa, pois a fuga não tira as lembranças. Aventuras subordinadas às angustias, escravas destas, é assim. Digo, saia, elas voltam. Fortes, temíveis, afirmando a certeza de que bom foi o tempo em que a vida era doce, não havia o tão maldito amargo da saudade.
Mas enquanto isso, no quarto, ao som de mais uma música romântica entristecida, me encontrando nesses versos fáceis, chorando alguma falta, poesia cantada em versos simples, notas delicadas e voz macia. Nem o primeiro, nem o último, apenas mais um coração entre tantos, em mais uma noite ente as noites. O luar mais "inspirador", a brisa mais acariciadora. Esta noite é assim, uma descrição de pensamentos, mergulhados em uma escuridão de sentimentos. E o que é engraçado, é que sempre foi assim. Tudo passa a ser normal. O palco de acontecimentos e um só personagem assume o papel de protagonista, ganhando espaço, se desdobrando e confundindo até onde vão os limites, os seus limites.
Espero poder voltar, espero poder escrever, dizer, usar do meu jeito mais prático e dinâmico para disfarçar qualquer tipo de sentimento indesejado. A minha maneira de me encontrar e ser encontrada, é mesmo esta.

Um Sonho A Mais


Ela teve um sonho estranhamente real, porém bom
Nele tudo vazia sentido, até mesmo o que não deveria assim ser
Era noite e era dia, era escuro e difuso, era verde e sombrio
O lugar era familiar, sabia onde estava e se sentia segura
Também sabia quem estava ao seu lado o tempo todo
Talvez por esse motivo, julgava não precisar mais acordar
Porque os dois mundos eram incomparáveis e insubstituíveis
O desafio era fundí-los em apenas um, mas como ...(?)
Não controlava nem a si, seria difícil encontrar então
Uma maneira de dominar os dois lados em seu interior
As derrotas vem e vão, mas nada poderia fugir ao seu controle
Como seria fácil se o tivesse e soubesse lidar com tal poder
As palavras são sólidas e as vozes são confusas
A ordem era fugir, fugir para outro lugar onde a paz reine
E então ela possa prevalecer sobre os sentimentos
Que a amarguravam, que a impulsionavam agora
De volta a sua realidade, fraqueza e desordens da alma
A real é que seu sonho continua sendo apenas mais um sonho
E sua concretização era apenas mais uma dor, incontrolável
Dividido entre o ser e o não ser, caminhos diversos...

Sobre Amores (Não Correspondidos)

É sempre assim e nunca muda nada. A história é a mesma, como nos filmes e nos livros. Muito igual, a diferença é que se sente na pele. O que causa um certo desconforto, um grande desconforto. As evidências fogem do normal, do convencional, do que se esperava pela tradiçãos dos amores. Você geralmente sabe o que quer, sabe o que te espera, mas tem sempre algo que vai de encontro às suas escolhas. Diria que soa meio que como um sonho que nunca foi realizado e sempre fica aquela sensação de tarefa não cumprida. Tudo isso pra demonstrar que o amor muitas das vezes faz escolhas erradas. E o meu fez mais uma vez, mas não foi hoje, foi ontem na verdade. Só que ainda faz parte do presente, talvez por isso sinto tão forte dor. Quando eu a via antes, batia forte o coração, meio que parecia um estado de alerta, pra não perder nenhum detalhe, minha visão a mirava e eu acompanhava do início ao fim dos seus passos. Às vezes parava só pra ter mais algum tempo para observar. E naquela hora tudo parecia parar e correr ao mesmo tempo, as sensações eram bastante contraditórias. Queria ao menos ter a coragem de gritar para o mundo inteiro ouvir esse amor. Dizer a todos a vontade de realizar-me ao teu lado. Que eu preciso de você, mesmo você nem se lembrando de minha existência. E o pior é que você sabe, porém ignora. É uma pena, porque eu tenho mesmo muito a oferecer. Mas agora, só tenho a lamentar. Nosso tempo tá passando e você nem mesmo percebe isso. Conto com a companhia do vazio, de não ter-te aqui, de sonhar as noites com sua presença. De imaginar as conversas que nunca existirão, os momentos que nunca serão escritos, a palavras que nunca foram e nunca serão ditas. A pior das dores. Escolho as melhores frases, os mais lindos poemas dedico a ti, as mais belas melodias. Passo por mares e desertos, tormentos e desavenças, coloco-ti a frente de mim. Destruo meu orgulho, entristeço outras almas, perco a noção e o senso. Mas se é por tua causa, então está tudo bem. Esperança contra a tristeza. A esperança de acontecer o impossível.
Tristeza de sonhar com o encontro que nunca aconteceu. "Quero me encontrar, mas não sei onde estou Vem comigo procurar algum lugar mais calmo Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita Tenho quase certeza que eu não sou daqui"
(Legião Urbana, Meninos E Meninas)

Mais Do Mesmo


Às vezes é difícil aceitar quando as palavras são ditas de uma forma meio que sem pensar. Sei que acontece, mas não dá pra se acostumar, ainda mais quando essas palavras vem de pessoas as quais você se doa sem pensar, abre mão de muitas coisas sem hesitar, só para fazer esse alguém feliz.
Ela já havia conhecido o amor anteriormente, conhecido e também junto a ele passou por momentos ímpares, sem iguais, de uma simplicidade tamanha, mas de uma alegria incalculável. Da mesma forma, este mesmo amor havia a machucado, ferido com a pior dor que se possa sentir, totalmente sem escrúpulos e sem pena. O amor, palavra pequena, mas de intensidade indefinida. Ainda assim, ela deixou-se entregar mais uma vez, porque sabia que somente assim saberia o que é a felicidade. Apesar do risco, como dito em outros momentos, valia sim a pena se arriscar nesse precipício, onde para cair, bastava um passo em falso.
E por muitas vezes caiu, também por muitas vezes se levantou, mas se levantou porque não estava sozinha.
Como o tempo não pára, talvez ela se deixe levar ainda por aí, em outras aventuras, como quem deseja algo indesejável, como quem pressente o inevitável. Como quem espera pelo melhor.
Jamais andara totalmente na linha, experimentar era como que buscar pelo desconhecido, o que não era seu, mas o que confirmasse que ali poderia ser o seu lugar, se seu lar não estivesse a acolhendo como em outros tempos.
Mas de que importa agora, se o tempo foi arrancado, os sonhos tirados, é tão simples e ao mesmo tempo tão confuso. O medo fazia parte naqueles instantes, mas no resto do tempo, havia uma ausência de sentimento, talvez chamaria "o vazio", "o nada". Seria o frio parte de si?

Apenas Um Reflexo ( de momento )

A Felicidade plena só se conhece uma vez, o que vem depois é apenas um disfarce. Se é que se pode chamá-la assim - Plena. Lembra da primeira vez em que pulou numa piscina? Ou da primeira vez em que sentiu um abraço do qual não queria sair dali nunca mais? Ou um momento, em que nada mais seria perfeito e naquele instante o tempo poderia parar? É... ao menos têm-se estes espetáculos que fazem de nós não totalmente seres. Mas deixa-nos sentirmos vivos por alguns momentos. Reflexões de uma alma insatisfeita? Talvez.

14 março/2009 00:39 conclusão 17 fevereiro/2010 17:05

Muitas Vezes Os Lugares Em Relação a Espaço e Tempo São Maiores Do Que Se Pode Imaginar

Havia um mundo novo e diferente ao meu redor.
Contemplei-o. Cantei de uma forma a qual libertei-me
de todos os males.
Infinitas foram as vezes em que minhas dores não
mais presenciavam meus dias de alegria.
Sim, meus dias de alegria.
Como eles são, somente ímpares, mas dignos de serem
lembrados com ternura.
A liberdade soava como a mais pura água vinda da fonte,
matava-me a sede e mostrava-me o caminho a seguir.
O que mais desejar, senão a sua presença aqui.
Apenas a saudade me tirava o sono, mantendo-me acordada,
olhando para o nada, o escuro, a distancia.
A certeza de que um dia estivemos e tivemos o nosso momento.
Aqui há tanta liberdade, há tanta beleza e tanto espaço vazio.

Criações E Criador



O fardo mais pesado na verdade era o que mais aliviava
As dores de momentos preenchidos de rancor
Porque ocupara ao vazio e estabelecia-se uma cor
Cinza, Preto, Branco, tanto faz
Era importante sair de um estado de ausência
E encontrar-se em um lugar digno de paz
Chama pelo nome que traduz a almejada sóbria consciência
Na emoção de subconsciência e subentendimento de morte
Aguda, instantânea e crua como ela só
Velhos conceitos, velhas tradições e novos entendimentos
Da busca de um vôo desapegado de dor e de lágrimas
Cantando das almas, dos restos e dos desejos
Entendendo a nítida diferença entre o pôr e nascer do sol
Evidenciando que o "pôr" de alguma forma tem mais sentido
Não só nesse momento, mas também na eternidade de várias existências
Mas quem saberia dizer até onde tudo isso vai
No momento, está muito ocupado com afazeres terrestres
Não faz além de suas habilidades: dar e oferecer o céu e o inferno
Para os dignos de pensar e raciocinar é mais que um privilégio
Com sabor de algo indefinido na imensidão de meados de frequências
Flexivelmente estabilizadas a andarem conforme nossos passos
Mandando e obedecendo atitudes iguais, sempre iguais.

Autocontrole


Desejei fechar os olhos e encontrar-me em outra dimensão, onde jamais estive antes. Nesse lugar onde nada mais existe além do vazio e da ausência de dor, seja ela qual for. A sobriedade deixava-me em estado de indiferença, indignação e às vezes batia um certo desespero. Não necessitava muito, bastava-me apenas acabar com aquilo que sentia. Quando dei por mim, mãos trêmulas e olhar exausto, foi difícil, tanto é que não pude conter as lágrimas que sobre a face dilaceravam aos tormentos meus.
O amor podia fazer parte de uma vida onde apenas a rejeição era conhecida, o desespero da partida, ainda que contra vontades. Essa força era maior que qualquer outra força a qual sentia poder dominar. E nessas horas percebia não poder dominar coisa alguma.
Como poderia algo, qualquer que seja naquele momento, até mesmo os grandes problemas mundanos fazer alguma diferença naqueles minutos. A destruição podia vir a um minuto de separação que nada havia de mudar. Não havia pena, culpa, sentimento, apenas algo incomodando aos sentidos internos.
Então, uma vez mais, era aquele nome que vinha de encontro ao meu ser, chamando meio que por inconsciente...
Desejei fechar os olhos e encontrar-me em uma outra dimensão...

O Ciclo

A fantasia de um dia de sol
Fazia-me acreditar que tudo podia ser diferente
A começar pela ilusão que hoje faço parte
Nesses dias de tempos corridos e lentos
Os quais queria poder transformá-los agora
Em algo confiável e digno de ser vivenciado
Passaria dias e noites e sempre em frente
Na esperança de uma hora em que encontrarei
O que jamais perdi, que nunca se desfez
Fixo a mim, fixo em mim, como parte de meu ser
Quis não correr o risco de passar por isto
De não encontrar-me pedindo a mão alheia
Poder sorrir e chorar quando quisesse
E mudar as situações conforme a necessidade pedisse
Digo que esta confiança custou-me caro
Um preço acima de minhas ostentações
Estou fraco, grito por ajuda mas não há respostas
Seguirei o caminho mais absurdo
Pisarei em flores negras murchas
Sentirei os espinhos me tocarem
A água que cai da chuva lavará minha alma
Até chegar ao meu destino, não hei de temer
Sempre corre-se o risco do fracassso
E da morte prematura do ser, não sendo o fim
Mas o renascimento da alma purificada.

Flexibilidade



Queria alcançar a estabilidade de um mar
A confiança de um amigo e de um aliado
A coragem de uma aventura e a inexistência do espaço.

Sua Confusão, Minha Ilusão*


Sua voz dilacerava ao ar, chegava aos ouvidos sem receio do que poderia trazer por conseqüência daquele ato, o qual deixara sem reação, sem palavras, sem lágrimas. Apenas intocável e paralizada, como quem com um olhar prende os sentidos de quem a repara, a consagra. Consagra porque era assim, algo até digamos comparado como uma idolatria cega. Então, nesse fim de noite, o que importava era nada. O que fazia sentido? Nada. O que restava? Nada. Organizemos as idéias: a noite era fria, mas nem o frio era sentido, o movimento era grande, as ruas mais uma vez como companhia e por alguns momentos, uma outra mente fazia-se necessária, uma alma que divide prazeres, agora também poderia dividir a dor, a tristeza, o desencanto. Mas era um momento de pensamentos velozes, árduos, a fim de buscar e encontrar explicações. A necessidade de uma parceria foi momentânea, de relance, não durando mais que alguns breves minutos.
E voltava mais uma vez aquelas memórias, aquelas promessas, dizeres, encontros, lugares, prazeres, lembranças. E pra onde teria ido? Era tudo muito vazio, sabor amargo, visão turva, mãos trêmulas. Simples, como tudo deveria ser, embora descrente, naquele momento lutando pra enxergar por além daqueles olhos. Outras pessoas eram apenas outras pessoas. Como torna um mundo repleto de um só ser? Como se faz da vida, especificada em uma só vida? São tão inexplicáveis as questões que vem de encontro, que pra respondê-las, creio que uma vida só não bastaria. E é tão fácil reconhecer essa fase, um sorriso já diz tudo.
Retornemos à noite. Caminhava ainda, era ao lar que deveria retornar, olhar para o chão ou para as estrelas, não mudava em nada, era tudo tão igual e sem graça, que nem mesmo a morte oferecia algum medo. Distingüir o certo do errado ali, não era nada fácil. Mas se manter 'alegre' à visão dos outros era pior ainda. O destino é certo para seres incertos do amanhã. O fato é que tudo que havia a volta, parecia parte de uma lista enorme de inimigos, juntos, numa fusão de intenções, crueldades, desejos e outros sentimentos dignos da mente humana. Tão somente me via ali, um ser de profunda agonia, mergulhado em águas desconhecidas, que iam e viam num compasso descompassante, tiravam do equilíbrio permanente até mesmo a mais equilibrada das criaturas.
Dizer, relatar, expor toda a amargura não é o bastante para apagar essa dor, ainda assim está guardada em uma caixa, onde todas são reunidas, revistas e jamais esquecidas.
E como é prazeroso e ao mesmo tempo repleto de mistérios esta dor, encantada de magia e somente de quem a sente. Passam-se os dias e o tempo fez-se mesmo um tempo de caminhar só. Mas esse caminhar só, além de necessário é estimulante.

(*) Referência à música Atmosphere por Joy Division

Caminhos Semelhantes


São meus passos marcados e deixados na areia
O som das aves dita o tom, eu não parto sem uma razão
No cantar das águas do mar, ao som melódico da sereia
Dá-me a certeza de que mesmo a fantasia, não soa mais em vão

Caminhada longa e caminho reluzente me faz encantada
Não me canso fácil, a paisagem me faz esquecer
Das vertigens ilusórias e das lágrimas criadas
Poder acreditar e sentir que o mais importante é viver

O céu vermelho, dia partindo ao horizonte distante
Nada além de mim e do sol naquela despedida
Queria eu poder ir mais além e ser a tua acompanhante
Mas sei que faz parte também de nossas vidas a partida

Leva agora o meu sorriso sempre contigo
Deixe que ele faça parte e ofereça a quem precisar
Como quem olha para o lado e sente um amigo
É você quem me faz sorrir e chorar

Olho para trás, a lua agora é quem me vê
Encanta-me e lamenta a mim seus pesares
Ouço calada, sinto e crio o reflexo para dizer
Que além deste ar existe também outros ares

Acompanhamos a nós mesmas e de testemunho, o mar
As estrelas nos olham e consagram o caminho
Mas quem dita os passos agora já nos faz esperar
Seria então o momento de percorrer sozinho... (?)

Saudades Dela


Creio que ela está por perto e não demoro a esbarrá-la
Ela vem ao meu encontro e eu corro em direção a ela
Eu sei que a gente já se cruzou por ae
Mas é que às vezes eu vou pra um lado e ela para outro
Me lembro dela com saudades fortes e sei que ela também pensa em mim
Se há lembranças, é porque já houveram momentos bons
E se sinto falta, é porque gosto dela... e é recíproco
Ela gosta de mim e eu sei... volta e me faz sorrir novamente
É tão simples, é tão sincera, é tão fundamental
É ela, quem me faz pensar e acreditar, essa tão almejada FELICIDADE
.

Um Lugar De Encontro Ao Meu


Minhas palavras são sinceras pra quem sabe ouvir
Sou quem não se contenta com meias verdades
E se arrebata em esperanças poucas, mas deliciosamente intensas
Às vezes mais que antes, ou menos que ainda há de vir
Dá-me o frio pra esclarecer minhas idéias e encontrar as saídas
Nem só de sol vive o verão, mas de tempestades e dias escuros
Mas ainda a noite, pode ser que eu me encontre em uma rua qualquer
Cruzando pessoas, muitas iguais, outras menos diferentes
E avenidas disfarçadas de alegria com suas luzes de neon vindo ao encontro
E chocando com memórias que batem e arremessam lágrimas
Que tocam ao chão, frias de enigmas ainda não solucionados
Outrora, quentes de temores embebidos ao amargo do sentir
Passa alguém, e outro alguém, sorriso tímido e olhar indecifrável
Idas e vindas de histórias parecidas, de momentos semelhantes
À busca de respostas encontradas numa praça, numa esquina, num bar
Visualizando tudo e nada, revendo o azul e o negro
Os dois lados de um mesmo quadro, nem sempre assim
Mas destacado não mais pelas duas faces
Destacado mais do que nunca, pelo encontro do bem e mal
O encontro que sempre andou junto, porém
As forças se destacam, se intercalam e decidem quando aparecer
Poder tomar partido, fácil, transparecer esta decisão, nem sempre
É pensando assim, pra seguir, já vou partir
Me restou de cicatrizes conclusões conhecidas
Levanto, amarrando aos cadarços, pés no chão
Passos fracos adiante e olhar ao longe
A volta sempre é mais aliviadora, pelo menos demonstra
Mesmo aparentemente causa boas sensações
Um olhar para dentro, e até uma valorização própria
Ás vezes um certo desprezo, mas sempre uma sensação de dever cumprido.

Sinceras "Explicações"


Ainda na privacidade de um quarto vazio
Lia cartas e via lembranças
Suas sensações misturadas ao frio
E sua mente tomada ainda de esperanças

Sabia que ninguém poderia medir o que sentia agora
Muitos não olham, apenas dão as costas
Poderia ela medir a dor de quem vai embora...
Tinha certeza que a sua era intensa e jogava em suas apostas

Contava as horas para poder esquecer de si
E em meio a escuridão da noite forte
Não havia mais o que fazer e existir por aqui
Pretendia fugir, pretendia a morte

Agora somente restavam alguns segundos
Pra cruzar onde jamais, em tempo algum sonharia chegar
Nem mesmo entre sonhos mais profundos
Pensar, agir e em lugar algum estar.

Livres Escolhas


Ao preto e branco, dessa vez escolhi o multicolorido
Pelos dias, dei certeza em aceitar o hoje
Ao invés do ar, escolhi a brisa
Das sensações, optei pelo amor

Dos amores, agarrei-me ao mais difícil
Em passos, caminhei de olhos fechados
Dos sabores, preferi o teu
Das terras, escolhi a mais distante

Pra ver, olhei com os olhos do coração
No descanso, dei preferência à sombra de uma árvore
Das mais belas obras, escolhi uma doce canção
Ao arriscar, arrisquei-me em voar

De imagens, apeguei-me às mais intensas
Da reflexão, refleti a mim mesmo
De me livrar, me libertei
Do existir, encarei o viver .